segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

She Will Be loved - Dificuldades


                Coloquei o copo na mesinha de centro e fui até a geladeira. Assim que a abri, vi que precisaria ir ao mercado logo. Não tinha muitas coisas além de verduras, azeitonas, queijo, uma vasilha com feijão e torradas. Peguei um pequeno prato e coloquei algumas azeitonas verdes, voltei para o sofá e enquanto as degustava, pensava no que minha vida havia se tornado.
                A televisão estava ligada em um canal que não me interessei saber qual era.
                Agora fazia algo que nunca imaginei que fosse capaz.
                O telefone tocou e eu corri para atendê-lo, mesmo já sabendo quem era.
- Alô?
- Boa tarde, Megan. - não, não era quem eu pensei que fosse. Era meu advogado, reconhecia pela voz rouca.
- Olá, Dr. Smith. Alguma novidade? - perguntei ansiosa pela resposta.
- Sim, mas não muito boa. O seu julgamento foi marcado para o dia 13 de maio, daqui 1 mês.
- Por que essa demora? Quero resolver logo isso. - estava impaciente.
- Foi o dia mais perto que o tribunal estava livre. Muitas pessoas andam fazendo coisas erradas. - brincou ele, mas não achei graça. – Como está seu trabalho?
- Bem, eu acho... – não gostava de falar sobre aquilo. – Preciso desligar agora. Bom fim de tarde, aguardo o Senhor entrar em contato comigo.
                Não o deixei responder e desliguei o telefone. Olhei pras minhas vestimentas e decidi que precisava comprar umas roupas decentes. Minha blusa estava surrada e cheia de bolinhas, e a calça de moletom, que era preta, estava cinza. Ainda assim preferia minhas roupas de ficar em casa do que as de trabalhar. E quem me dera se esse fosse meu maior problema. Sorri com meus pensamentos. O telefone tocou novamente.
- Oi.
- Megan? Aqui é da boate.
- Eu sei. Vão precisar de mim hoje?
- Sim, a Vanessa não poderá vir. Esteja aqui às 19:30.
                O telefone foi desligado. Ainda não havia me acostumado, sempre que me chamavam para ir até lá ficava feliz e triste ao mesmo tempo. Desliguei a televisão e me dirigi até o banheiro. Despi-me na frente do espelho e me perguntei onde eu havia errado. Minha pele branca demais para alguém que mora em Las Vegas. Cabelo longo e ondulado tingido de preto. Olhos verdes que escondiam um mistério que eu mesma ainda não sabia. Corpo magro com algumas cicatrizes de cortes. Uma mulher de 19 anos que não via sentido na vida, mas mesmo assim não parava de lutar. Olhos que falavam mais que palavras. Gestos que transmitiam amor. Não tinha mais onde buscar forças, cada dia que passava a esperança diminuía, a desanimação aumentava. A rotina havia tomado conta da minha vida, e pior que isso, estava acompanhada da tristeza. Dose perfeita para entrar em depressão, ou pular de uma ponte. Mas algo me mantinha de pé, no fundo, bem no fundo, eu tinha esperança de sair daquela situação.
                Liguei o chuveiro e deixei a água gelada cair sobre minha pele, olhei para o ralo e desejei que todos os sentimentos ruins que possuía fossem embora também. Pensei no que faria quando me resolvesse na justiça e arrumasse um trabalho digno, talvez buscasse fazer algumas amizades. Conhecer lugares novos. Ler outros livros. Contar outras piadas. Mudar o estilo das roupas. Dançar músicas diferentes. Chorar com filmes de terror e ter medo de filmes de comédia. Quem sabe adotar um cãozinho. Quem sabe adotar uma criança. Quem sabe....
                Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. No quarto, abri o guarda-roupa e senti nojo de mim mesma ao encarar o que havia ali. Não era muito raro o sentimento de inferioridade. Vesti-me com uma blusa tomara que caia vermelha, um shorts jeans escuro bem curto, e uma meia fina preta. Calcei um salto alto vermelho e passei uma maquiagem razoável. No cabelo fiz um rabo de cavalo, e terminei colocando um colar no qual no pingente tinha meu nome. Dei um sorriso forçado me olhando no espelho, tranquei a casa, e fui em direção à boate.
                Quando olhei no relógio era 19h15, e decidi ir mais devagar, pois tinha tempo de sobra. Na rua as pessoas me olhavam como se eu fosse de outro mundo, algumas mulheres me olhavam com pena, outras com olhar de superioridade. Os homens notavam meu corpo, os adolescentes eram indecifráveis. Tinha me acostumado com aquilo, afinal o que mais eu esperaria? Se estivesse no lugar deles - quem me dera -, faria o mesmo.
                Prostituta. Garota de programa. Entenda como quiser.
                Não foi uma opção de vida, era uma questão de sobrevivência. Não me orgulhava daquilo nem um pouco, pelo contrário, sentia vergonha. Mas ou era isso, ou morreria de fome. Tentei várias vezes pedir ajuda nos semáforos, porém no fim do dia o máximo que conseguia era R$ 10,00. Sem família. Sem amigos. Sem nada.
                Cheguei à boate, entrando pela porta dos fundos e fui direto para a pista de dança. Tocava Starships – Nicki Minaj. Comecei a dançar conforme as batidas da música, e percebi os olhares em mim, que eram inevitáveis. Fui até o balcão e pedi para o barman, que mesmo “trabalhando” ali a alguns meses ainda não sabia o nome, uma dose de whisky. Parecia que fazer aquilo era mais fácil quando não estava totalmente sóbria. Logo que ele me entregou o copo virei-o na boca e bebi tudo em um só gole. Senti o homem ao meu lado me encarando e já estava desconfortável. Estava ali exatamente para atrair olhares e transar com um desconhecido, mas não gostava de me lembrar disso. Preferia imaginar que iria apenas me divertir, sem compromisso, sem ter que ir para o motel com qualquer um. Queria estar ali para dançar e beber até cair, e depois levar sermão de alguns amigos ou até parentes. Mas nem isso eu tinha.
                Voltei para a pista de dança e algumas horas se passaram. Já havia tomado mais 3 doses de whisky, mas ainda estava sóbria. Digamos que era forte para bebidas. Notei pela quarta vez na noite o homem que estava sentado em frente o balcão e me encarava. Ele parecia ter no máximo 25 anos. O cabelo loiro e curto, o tom bronzeado da pele era ressaltado pela regata branca que usava. Tinha músculos notáveis, mas não era bombado. Usava uma calça jeans e calçava um supras dourado. Sua altura era de aproximadamente 1,89 e tinha expressões faciais fáceis de serem desvendadas. Vi algumas meninas irem até ele, conversavam, mas ele não saia de lá. E sempre me encarando.
                Cai na real quando a música acabou e começou a tocar outra que eu não conhecia, resolvi ir ao banheiro para ver como estava minha situação, afinal não havia conseguido sair da boate desde que cheguei. Arrumei o lápis que estava um pouco borrado e quando ia saindo um grupo de meninas entraram, elas riam e não pareciam ser prostitutas. Senti uma ponta de inveja e sai dali. Fechei a porta atrás de mim e respirei fundo. Logo senti uma mão gelada segurar meu braço e meu coração foi a mil. Instantaneamente dei um grito fraco e me virei pra trás. Era o homem que me encarava.
- Desculpe, não quis assustá-la. – ele sorriu e notei seus dentes incrivelmente brancos.
- Da próxima vez pode tentar me chamar de um jeito diferente. – disse me recuperando.
- Próxima vez? – ele perguntou mas não respondi, afinal não tinha entendido. – Acho que podemos sair daqui. – ele disse próximo do meu ouvido e me arrepiei.
                Ele me lançou um olhar indicando que era para segui-lo e saiu andando. Fui logo atrás dele esbarrando nas pessoas com certa brutalidade e deixando algumas delas para trás me xingando, ele andava rápido e era difícil acompanhar. Chegamos à rua e andamos dois quarteirões até ele parar do lado do banco do passageiro de uma Range Rover e abrir a porta para que eu entrasse. Assim que o fiz, no segundo seguinte ele estava sentado no banco do motorista. Ele encarou o cinto atravessando meu corpo e riu.
- Eu costumo saber o nome dos homens que eu saio.
- E o que isso muda pra você?
                O olhei incrédula e ele riu. Depois de pensar um pouco conclui que realmente não mudava nada, e sinceramente, não me importava de saber o nome deles. Mas o homem ao meu lado me intrigava e eu estava interessada no nome dele. Há algo de errado com isso?
- Estou brincando. Sou o Bryan. E você?
- O que isso muda? – sorri sarcástica e ele sorriu também. – Sou a Megan.
- Prazer.
- Não acha que é cedo pra isso? – ele riu pelo nariz. – Pra onde vamos?
- Pra minha casa.
- Achei que me levaria ao motel. Afinal que tipo de homem põe uma desconhecida em casa?
- Escolho muito bem minhas parceiras da noite.
- Qual critério usa pra isso?
- A pupila.
                Não, não fazia sentido, mas e daí? Percebi então que era o primeiro homem desde comecei a ser garota de programa com o qual havia puxado assunto. E quando ligou o carro, vi que não havíamos saído do lugar. Ele saiu cantando pneu e fomos o caminho todo em silêncio, o único som era a música que tocava no rádio. Quando tocava músicas que o agradavam, ele aumentava o som a ponto de alguém que estivesse a dois quilômetros pudesse ouvir, e quando não era de seu interesse ele abaixava o som até quase não conseguir escutar. Bryan parou o carro de frente ao portão de um condomínio, tirou uma chave do bolso, foi até lá e o abriu. Depois de entrar com o carro fechou o portão e andou alguns quarteirões até estacionar no jardim de uma casa. As construções ali eram todas abertas, sobrados e casas de todos os tamanhos e estilos. Desci do carro e respirei fundo, parecia ser um ótimo lugar para morar. O ar era limpo devido à grande quantidade de árvores e plantas. Entrei na casa logo depois que Bryan entrou, por fora parecia ser simples, mas por dentro era completamente diferente. Imobiliária sofisticada, quadros coloridos nas paredes. Num canto ou outro havia uma cueca suja jogada no chão, camiseta, ou caixa de pizza. Coisa típica em casa de homem que mora sozinho, pensei. Achei até que estava organizado demais. Ouvi um barulho vindo do fundo de um corredor e me dei conta de que estava sozinha na sala. E de repente lembrei-me do motivo de estar ali. Sai andando pelo corredor e entrei na última porta, como eu imaginava, era um quarto.
- Bryan? – chamei seu nome mas o silêncio pairou.
                Sentei-me na cama macia e logo ouvi um barulho atrás de mim. Virei a cabeça e ele estava sem camiseta com um copo de vinho em uma das mãos, e a outra estava dentro do bolso de sua calça. Ele sorriu ao me ver.
- Pronta pra começar a brincar? – disse com a voz grossa. 

Continua...

Oi gente, demorei pra postar mas fiz o melhor que pude pra esse capítulo ficar bom. Espero que gostem, até a próxima.

7 comentários:

  1. Cheeeessuuus!! Isso foi magnífico! Continua flor? Beijinho sz

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  2. Ta perfeito amore, não demore a escrever por favor. Continua *u*

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  3. Continue, leitora nova

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  4. MEU DEUS,MEU DEUS U_U QUANTA PERFEIÇÃO,APENAS PIRANDO COM ESSE CAPITULO U_U TU ESCREVE MUITO BEM CARA <3 CONTINUA

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